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terça-feira, novembro 24, 2015

A tranquilidade de um amor, muitas vezes, cede lugar à comodidade e, consequentemente, ao marasmo. Muitos casais juntos há anos costumam reclamar da temperatura morna da relação, e se lembram com saudade dos momentos quentes que tiveram no início do romance. Relacionamentos são cíclicos e, portanto, resgatar as sensações apaixonadas do começo em meio à rotina raramente é uma tarefa bem-sucedida. Algumas atitudes, no entanto, podem dar fôlego novo a uma longa união. Confira algumas ideias.

AGENDE O ROMANCE: a grande dificuldade para muitos casais é inserir o romance de volta ao dia a dia, já que trabalho, filhos, cansaço, afazeres domésticos e organização das finanças parece tomar todo o tempo disponível. Em vez de esperar uma brecha na rotina, o melhor é marcar mesmo o momento de namorar, como se fosse um compromisso na agenda. Parece formal demais, mas, acredite, na prática, funciona. "Reserve uma noite da semana para os dois curtirem sozinhos, seja em um jantar, num cinema ou para ficarem namorando no quarto, não importa. Mas a regra é deixar de lado as conversas sobre assuntos da casa ou da família e dar atenção aos dois, buscando prazeres esquecidos", diz Triana Portal, psicóloga e terapeuta de casal,

DESLIGUE A TV: tudo bem, o leque de opções de diversão televisiva está cada vez mais diversificado e descansar no sofá curtindo as últimas novidades é algo tentador depois de um dia estressante. Porém, muitos pares não percebem que esse hábito vem atrapalhando o diálogo, a convivência, o prazer de um contar ao outro o que fez durante o dia. "Namorar é muito bom, mas muitos casais se descuidam disso. Será que a culpa é da vida acelerada ou de quem só sabe 'hibernar' diante da TV? Vale a pena refletir se vocês não estão preferindo o amor da ficção, em vez de vivê-lo", diz Sandra Mara de Castro, psicóloga da Clínica Dr. Família.

BEIJE NA BOCA: pode parecer uma dica óbvia, mas não são poucos os especialistas em comportamento que prestam atendimento psicológico a casais que relatam que, com o tempo, homens e mulheres deixam de se beijar na boca. "Um sinal evidente de afastamento é que os beijos vão se tornando mais raros. Quando muito, se resumem em um selinho ao chegar ou sair, de forma mecânica ou por obrigação", declara a psicóloga Sandra Mara de Castro. Retomar a paixão nos beijos é uma forma de resgatar a cumplicidade, o afeto e o romantismo no relacionamento.

SURPREENDA: com o passar dos anos, é normal que ambos se conheçam muito bem. Intimidade é algo reconfortante, mas a falta de novidade pode tirar um pouco da graça do relacionamento. A sugestão de Carlos Eduardo Carrion, psiquiatra e terapeuta sexual, de Porto Alegre (RS), é surpreender a pessoa com algo inesperado. "Pode ser um prato exótico, uma roupa diferente, um convite para um passeio nunca feito antes", exemplifica. Importante: esse artifício deve ser usado com moderação, para não causar o efeito rebote e o excesso de novidade também cair na mesmice.

PAQUEREM-SE: uma das grandes inimigas dos relacionamentos duradouros é a crença equivocada de que o outro já está conquistado. Pode até ser que sim, mas que mal há em voltar a paquerar e a agir como no época em que se conheceram, mesmo que uma forma assumidamente brincalhona? "Por que não enviar flores, mandar mensagens picantes inesperadas no meio do dia, trocar olhares ou carícias escondidas numa festa? O prazer do convívio reacende quando um se sente querido, desejado. Não tenha vergonha de tomar essas atitudes. O tempo faz com que os parceiros deixem de se elogiar, de cortejar e isso vai amornando a relação", fala Triana Portal, psicóloga e terapeuta de casal.

INOVE NO SEXO: não é porque o casal transa há muito tempo que o sexo é, necessariamente, monótono. Afinal, a intimidade ajuda no encaixe, na química, na segurança de um saber o que o outro quer, espera e gosta. No entanto, essa convivência estreita e cômoda acaba limitando as experiências e sensações. A proposta do psiquiatra e terapeuta sexual Carlos Eduardo Carrion é tentar inovar não só nas preliminares e posições como também em relação ao tempo, já que diversos pares se acostumam a fazer sexo sempre no mesmo período. "Se vocês costumam transar somente à noite, que tal mudar para a manhã, depois de alguma atividade ou uma rapidinha?", sugere. Para a psicóloga e terapeuta Triana Portal, conversar de tempos em tempos sobre sexo, mesmo que já estejam juntos há anos, também é importante para tentar arriscar fantasias que nunca tiveram coragem de satisfazer e descobrir o que pode excitar ou não cada um.

CRIE UM CLIMA: o sexo começa sempre no cérebro, sabia? Pensar nele faz o órgão produzir neurotransmissores como ocitocina, dopamina, vasopressina e serotonina, responsáveis pela sensação de bem-estar. Inventar uma noite especial, antecipá-la na imaginação e criar um clima (decoração diferenciada, roupa íntima caprichada, mensagens e telefonemas eróticos ao longo do dia) ajuda a deixar o outro em estado de alerta para logo mais. De acordo com o psiquiatra e terapeuta sexual Carlos Eduardo Carrion, dar atenção aos momentos que antecedem o sexo permite que o casal se prepare mental e fisiologicamente para o prazer e se sinta mais conectado, de um jeito novo.

TENHA VIDA PRÓPRIA: na opinião da psicóloga e terapeuta de casal Triana Portal, alguns casais se fundem em uma relação simbiótica e esse excesso de proximidade passa a minar o desejo. "Pequenas ausências são saudáveis até para dar saudade. A individualidade deve ser mantida, assim como os gostos antigos, os amigos etc. Uma vida além da conjugal deve coexistir", diz a especialista. É fundamental não perder de vista a própria personalidade, a individualidade, a autoconfiança e as características que levaram seu par a se apaixonar por você.

TENHA ATITUDE: é comum, com o passar do tempo, que vontades e fantasias não realizadas fiquem no plano da frustração e as pessoas simplesmente aceitem a situação como ela está. Para a sexóloga Carmen Janssen, membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana), ao invés de se conformar que o par não é mais afetuoso ou romântico, mostre, na prática, o que gostaria de receber. "É preciso ter atitude. O amor e o desejo dependem de esforço, pois as coisas não acontecem sozinhas", afirma Carmen. Dê você a sacudida que espera acontecer na relação.

PRATIQUEM ESPORTES RADICAIS JUNTOS: sim, você leu certo! O casal deve ir além da caminhada matinal a dois ou ocuparem esteiras próximas na academia. Busque opções como rapel, trilha, mergulho, mountain bike, exploração de cavernas... O ar livre, a adrenalina e a exposição ao risco aumentam a química sexual e a sensação de cumplicidade. "Fazer algo diferente a dois quebra o cotidiano repetitivo. O casal descobre junto outras características, como capacidade de resistência, vigor físico, senso de cooperação", explica a psicoterapeuta Carmen Cerqueira Cesar. E mais: o casal vai ter renovado o repertório de histórias para contar.

Viu? com dicas simples, você pode esquentar a chama desse amor. Topa?


Publicado terça-feira, novembro 24, 2015 por Erotika Toys

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terça-feira, novembro 18, 2014

Apoiados em pesquisas, três especialistas - dois deles autores de novos livros sobre o tema - ajudam casais a driblar as dificuldades da vida a dois e manter a saúde do casamento.

      Foto: Getty Images

As situações não são raras na crônica da vida a dois. Um vive implicando com o outro. Às vezes, um lado do casal fica nervoso e grita, deixando as coisas fora de controle. Ou ambos sempre tentam manter o tom civilizado, mas um deles tem a mania de esconder que empresta dinheiro para o irmão quase todo mês porque sabe que esse é um assunto delicado. Em compensação, os dois se amam, está na cara. Tanto que traição é um mal que nunca passou nem longe daquela relação. Será mesmo? A infidelidade conjugal possui outras formas além da famosa pulada de cerca. Pior: menos levadas em conta, elas podem ser tão devastadoras para o relacionamento quanto a escapulida sexual.

Uma nova compreensão de infidelidade - e também do seu antídoto, a confiança no parceiro - é explorada no mais recente livro do psicólogo e professor americano John Gottman. Em seu centro de estudos na Universidade de Washington, nos Estados Unidos, apelidado de Laboratório do Amor, Gottman passou quase quatro décadas observando, minuciosamente, milhares de casais, das palavras ditas um ao outro à linguagem corporal e até as reações biológicas. O pesquisador estudou, inclusive, conversas domésticas e brigas. No livro O Que Faz o Amor Durar? (Fontanar), lançado recentemente no Brasil, o psicólogo mostra ser possível medir os níveis de confiança e de traição entre os cônjuges.

CLAUDIA ouviu John Gottman mais dois especialistas brasileiros sobre o assunto - o psiquiatra e psicoterapeuta Augusto Cury, autor de best-sellers, que acaba de lançar As Regras de Ouro dos Casais Saudáveis (Academia), e a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex), do Hospital das Clínicas de São Paulo - e listou algumas verdades, que servem tanto para proteger relacionamentos prósperos quanto para resgatar casamentos em crise.

Traições devastadoras não são apenas sexuais

Elas costumam passar despercebidas ou ser minimizadas até mesmo pelo cônjuge que está sendo traído, mas podem ser tão perniciosas quanto a infidelidade sexual e arruinar um casamento. Alguns exemplos desse tipo de deslealdade? Desrespeitar o parceiro com atitudes ou palavras que o façam se sentir inferior. Mesmo que pareçam banais, como dizer na frente dos outros: "Você é idiota? Sempre esquece os óculos". Priorizar a carreira acima de qualquer coisa, incluindo o relacionamento, também é trair, assim como demonstrações de egoísmo, frieza ou incompreensão. Como diz o americano, um relacionamento sério é um contrato de confiança mútua, respeito e cuidado. Qualquer conduta que viole esse contrato é traição. Deslealdades, porém, ocorrem até nas relações mais harmoniosas. A diferença é que casais saudáveis e felizes buscam corrigir logo a mancada.

Confiança é princípio fundamental para o sucesso

Basicamente, a confiança existe quando um parceiro pensa nos interesses do outro como se fossem dele. Exemplos prosaicos do dia a dia ilustram bem como alimentar essa confiança: ele vai fazer compras no supermercado e traz a guloseima de que ela tanto gosta ou, então, se lembra de comprar o xampu que ela usa e já terminou. Tais atitudes mostram que um parceiro está pensando no outro e está interessado em se dedicar à relação. Se um lado está ligado apenas nas próprias necessidades, a confiança acaba abalada. Ou seja, a questão tem tudo a ver com quanto cada um está investindo emocionalmente no relacionamento.
Assim, para recuperar a confiança, é preciso retomar a sintonia, a conexão dos dois. Nesse caso, a técnica de Gottman consiste em levar os casais a incorporar o hábito de ter, com certa regularidade, conversas sinceras e profundas. Nesse sentido, ele propõe um cardápio de perguntas que um deve fazer ao outro: "Quais são seus planos? E seus medos? Doque você precisa para ser mais feliz? O que está preocupando você agora? Que sonhos ainda não realizou?" São questionamentos que levam, por exemplo, os parceiros a identificar se estão ou não caminhando na mesma direção, além do que precisa ser ajustado para fortalecer os laços.

Ninguém muda ninguém

Uma das regras de ouro dos casais saudáveis formuladas pelo psiquiatra Augusto Cury é justamente essa. Segundo ele, temos o poder de influenciar (e até piorar) os outros, mas não de mudá-los. Fazer críticas excessivas, sermões ou chantagens, impor punições e falar em voz alta ou berrar são estratégias negativas, que não funcionam. Como são atitudes de dominação, claro que não contribuem para o desenvolvimento de quem se ama. Relacionar-se é a arte de negociar e dialogar, lembra o especialista. É necessário encontrar um meio-termo para tudo que incomoda o casal. Para tanto, as conversas têm de ser sinceras, feitas de coração aberto. Pode ser difícil, mas vale tentar. "O incômodo asfixia a vontade de dividir, quebra a liberdade e deixa o humor para baixo. Faz parecer que aquilo será definitivo no futuro", diz Cury.

Assuntos mal resolvidos não podem se acumular

"Os maiores fantasmas que sabotam nossos romances e nossa qualidade de vida estão dentro de nós. Então, é fundamental domesticá-los", alerta Cury. Se não há como deletar o passado, ele pode ser ao menos reeditado, lembra o psiquiatra. Isso só é possível se criarmos espaço para um debate interior com nossos medos, culpas, ciúmes e impulsos. Para o americano Gottman, assunto bem resolvido é aquele que é discutido a dois com toda a calma. Quando as coisas ficam quentes, sua dica de sucesso é esperar passar ao menos 24 horas após o conflito para dar tempo de amenizar a raiva, a mágoa ou outros sentimentos negativos. Aí a conversa poderá ser sincera, prática e efetiva. "Você precisa ter uma distância emocional segura para abrir-se com o outro sem machucá-lo ou ferir-se mais ainda", observa. Por mais indigesta que seja, nenhuma questão deve ser varrida para debaixo do tapete. Ou virará ferida e, posteriormente, virá à tona em forma de chantagem ou instrumento de defesa.
Romance e sexo, uma prioridade

O americano John Gottman avisa: não deixe o amor no pé da sua lista de coisas a fazer. E não se sinta mal de encaixar na agenda momentos para o sexo e o romance. Também nessa área é preciso se programar. "Se o parceiro ficar para o fim do dia, quando estiver exausta, após trabalhar e cuidar das crianças, a relação não terá qualidade." A seguir, dicas de especialistas para jamais parar de namorar.

Conversa boa

Segundo a pesquisa de Gottman, a comunicação entre os casais costuma ser falha, o que impacta a relação. O psicólogo instalou câmeras na casa de jovens casais e mediu o tempo de interação entre eles. Descobriu que, em uma semana, eles mantinham apenas 35 horas de conversas, o que ele considerou pouco. Mas quantidade não era a pior parte: os temas giravam em torno de questões enfadonhas, como contas a pagar. Por isso, é muito indicado que o casal tenha estratégias para se distanciar dos assuntos de ordem prática. "Eu e minha esposa planejamos uma vez ao ano uma lua de mel. Vamos a algum lugar sem as crianças e com celulares desligados, só para curtir um ao outro", conta Gottman, ao falar de Julie, sua parceira também no Laboratório do Amor. "Voltamos outros, refeitos." Romper com a rotina torna o parceiro mais interessante - e atraente na cama.

O que não tem preço

Para quebrar o que chama de "o cárcere da rotina", Cury propõe dar aquilo que o dinheiro não compra. Isso significa dizer palavras carinhosas, acolhedoras e que encantam a quem se ama, como "obrigado por você existir" ou "o que posso fazer para torná-lo mais feliz?". Para a psiquiatra Carmita Abdo, no sexo a ideia é que a relação se torne cada vez mais equilibrada e criativa. "Pode ser mudando o lugar dentro de casa mesmo: transar um dia no quarto, outro na sala, na cozinha...", diz. "Ou fugir em um fim de semana para uma pousada, experimentar brinquedos juntos e testar posições até descobrir as mais prazerosas para ambos."

Resgate do toque

Casais devem se esforçar para manter a amizade e a intimidade. Para tanto, tocar a pessoa que se ama no dia a dia é poderoso. "Abraçar, beijar, fazer carinho, massagem... Isso libera o que chamamos de hormônio da afeição", diz Gottman. A ideia é ser como os recém-casados, que falam e fazem sempre coisas deliciosas um para o outro e não conseguem desgrudar.

Sintonia fina

O empenho é dos dois. "Outro dia, minha esposa me ligou dizendo que havia comprado um vestido sexy. Eu a convidei para ver um filme e jantar usando a roupa nova. Saímos, andamos de mãos dadas, sentamos juntinhos no cinema, trocamos olhares à mesa", conta Gottman. Para Carmita, é natural que, com o tempo, a frequência do sexo diminua e o repertório perca exuberância. Também ocorrem divergências de gênero. Para o homem, querer mais sexo, em geral, é simples. Para a mulher, exige empenho, dedicação. "É preciso entender os limites e a vontade do outro", diz. Assim, os dois entram em sintonia e começa um círculo virtuoso: a lembrança de um bom momento leva o casal a querer repeti-lo, propiciando uma vida sexual mais ativa.

Publicado terça-feira, novembro 18, 2014 por Erotika Toys

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terça-feira, agosto 26, 2014



Cinco mulheres demonstram como a descoberta do amor pode assumir diferentes significados conforme a idade, o histórico de realizações e as ambições profissionais


O sentimento de amor se transforma ao longo da vida
Foto: JJack/Thinkstock/Getty Images

O título não deixa dúvida a respeito do conteúdo. Lançado pela editora Paralela, selo da Companhia das Letras, O Amor Chegou Tarde em Minha Vida é uma biografia franca de uma das jornalistas mais famosas do país (veja entrevista no final da matéria). Aos 48 anos, Ana Paula Padrão conta, sem pudores, como foi deixar a disputada bancada do Jornal da Globo, em 2005, para dedicar mais tempo ao segundo marido, o economista paulistano Walter Mundell, com quem se casou aos 36.

Uma decisão, segundo ela, possível apenas quando já se atingiu certo grau de maturidade e realização profissional. Ela alega que não queria mais o trabalho no centro de sua vida, justificando a resolução, que causou celeuma na época."O amor fez toda a diferença. Hoje, sou uma pessoa completa."

Suas confissões demonstram como a descoberta do amor pode assumir diferentes significados conforme a idade, o histórico de realizações e as ambições profissionais. Com o tempo, acumulamos vivências, boas e ruins, e ficamos mais racionais. O avanço da idade gera novas expectativas. A atração física, imperiosa no começo da vida afetiva, cede espaço à busca por companheirismo e afinidades na profissão, nas finanças e nos gostos pessoais.

Da mesma forma, a dor do amor desfeito assume diferentes matizes. Enquanto o mundo parece desmoronar na adolescência, com o tempo aprendemos que coração quebrado tem conserto. Nem por isso a emoção de amar diminui com a idade, como comprovam as histórias a seguir.

Aos 20 - "O amor tem mais afinidade com a coragem".

Natasha Siviero
Foto: Everton Nunes

"Hoje, quando alguém me diz que vai se casar aos 21 anos, até acho cedo. Mas comigo não foi - e não me arrependo. O Rafael tinha 24 anos e estávamos na mesma turma na faculdade de comunicação. Ele era charmoso, chamava a atenção com seu olhar oblíquo e pernas longas. Entendi que a atração física era amor quando passei a querer dormir com ele todas as noites. Deixei para trás o meu quarto, a convivência diária com meus pais e irmãos, o forró de domingo... Tive dúvidas, claro, mas não precisei de certezas para decidir pelo casamento.

O amor tem mais afinidade com a coragem. Não sou mais a mesma pessoa, o que é visível no meu blog Samba Pras Moças. Eu, que sempre fiz um dramalhão das pequenas coisas, passei a amar o que é pequeno em sua miudeza. Das dores homéricas, amores e paixões, minhas crônicas ganharam outros temas: vieram parar no carrinho de compras do condomínio e nas tarefas da babá, mas sem abandonar a intensidade de quem é jovem. Não tenho ciúme, sou segura. Quando o Miguel nasceu, há dois anos, nosso amor mudou. Ficou mais livre, cheio de compaixão, de entrega e mansidão, sem urgências."

Natasha Siviero, 26 anos, escritora

Aos 30 - "Eu não sonhava com casamento, mas acabei sendo atropelada pelo amor".

Luciana Canuto
Foto: Filipe Redondo

"O Paulo César é ator e eu o conheci no palco, quando participava de uma peça produzida por alguns amigos. Foi amor à primeira vista; não conseguia tirar os olhos dele. Eu estava prestes a completar 33 anos; ele tinha 31. Do espetáculo, fomos para um churrasco e logo ficamos amigos. Começamos a sair pouco depois, mas o primeiro beijo demorou semanas para acontecer. Engatamos um namoro cheio de idas e vindas, pois ele morava em Belo Horizonte e viajava bastante a trabalho.

Eu, em São Paulo, passava por um momento profissional muito bom. Achava que um relacionamento não caberia na minha vida. Era engraçado, minhas amigas da mesma idade estavam todas desesperadas pela pressão do relógio biológico e das famílias. Eu sempre era madrinha dos casamentos, mas não sonhava com aquele tipo de romance para mim - só que acabei sendo atropelada pelo amor. Cerca de dois anos depois, decidimos morar juntos.

Se fôssemos mais jovens, não teríamos tido estrutura para modificar tanto a nossa vida. Ele trocou de cidade e deixou a família para morar comigo. E eu, que sou filha única e sempre fui individualista, aprendi a conviver. Nossa filha, Marina, nasceu em 2008. Ela já tinha completado 3 anos quando casamos de papel passado, e a cerimônia coroou um momento importante da nossa história. Nem por isso digo que vivemos um conto de fadas, pois a rotina no casamento é difícil. Ao olhar para trás, porém, e ver tudo o que passamos juntos, tenho certeza de que valeu muito a pena."

Luciana Canuto, 42 anos, funcionária pública

Aos 40 - "Quando jovem, persisti num amor sem retribuição. Hoje, sei que o amor é recíproco."

Francisca Xavier
Foto: Anna Luiza Fischer

"Conheci um rapaz no primeiro período da faculdade de direito, aos 20 e poucos anos, e me apaixonei. Cinco anos depois, entrei de cabeça e começamos a namorar, mas ele não mantinha o compromisso e descobri várias traições. Só consegui deixá-lo aos 40. Sentia que havia perdido 13 anos da minha vida e não queria ficar só, mas nunca fui de frequentar bares atrás de alguém. Muito menos naquela idade. Procurei anúncios sentimentais no jornal, mas não gostei de ninguém. Resolvi me inscrever em uma agência de matrimônios. Como nunca encontrava a pessoa certa, decidi tocar a vida sozinha. Até que conheci o José na fila do cinema.

Era viúvo e procurava uma companheira que o ajudasse a criar o filho adotivo, então com 5 anos. Marcamos um encontro. Eu tinha sofrido muito e não estava preparada para casar, muito menos para ganhar um filho, mas o amor aconteceu com o tempo. O Zé e o garoto me conquistaram.

Temos muita cumplicidade e carinho um pelo outro. Ele me pressionou e casamos dois anos depois. Foi difícil encontrar alguém nessa fase da vida, porque sempre trabalhei muito, sem horário certo para chegar em casa. Eu, que não tive filhos e podia bater a porta sem dizer para onde ia, me vi administrando uma carreira, um casamento e uma criança. Mas valeu a pena. São 16 anos de uma relação que não me machuca. Quando jovem, persisti num amor sem retribuição. Hoje, sei que o amor é recíproco.

Francisca Xavier, 60 anos, funcionária pública

          Aos 50 - "O amor na maturidade envolve menos sexo, mas você aproveita mais."

Maria Magdalena Frechiani

"Na adolescência, sentia borboletas no estômago se gostava de alguém. Conheci o pai das minhas filhas na faculdade de medicina. Era interessante, culto, inteligente... Engravidei na primeira transa e casei aos 21 anos, logo após sair da cadeia - já estava grávida quando fui presa pela ditadura. O Guilherme tinha 23 anos e passamos por dificuldades financeiras e emocionais que minaram o relacionamento. O casamento acabou quando nossa terceira filha estava com 3 anos.

Depois, não tive relacionamentos sérios. Aos 35, namorei um rapaz sete anos mais jovem, meu aluno na residência médica. Mais tarde, mantive uma relação mais ou menos estável com um médico, mas nossos gênios não batiam. Quando terminou, eu tinha pouco mais de 40 anos e achei que chegava. Passei oito anos sem ninguém, não valia a pena me envolver. Até que, aos 54, conheci o Albert a caminho da praia. Ele é irmão da minha vizinha e havia perdido a mulher tragicamente numa cirurgia. Marcamos um encontro no Réveillon, no sul da Bahia, só que ele não apareceu. Cheguei a desistir, mas em janeiro ele surgiu na minha casa e começamos a namorar.

Meus quatro netos acharam o máximo. Aquele janeiro foi muito intenso, realmente me senti uma adolescente apaixonada e ridícula. Sempre fui muito direta, um pouco dura, mas a paixão é química, sempre dá frio na barriga. Seis meses depois, descobrimos que ele tinha câncer no pulmão. Eu mal conhecia aquele homem, mas, depois de operado, passou um semestre em recuperação na minha casa e hoje está bem. Temos diferenças. Ele é possessivo e ciumento, o que não combina comigo, porque nunca fui submissa. Somos, porém, muito companheiros. O amor na maturidade envolve menos sexo, mas você aproveita mais."

Maria Magdalena Frechiani, 62 anos, oncologista pediátrica.

O Amor Chegou Tarde em Minha Vida, biografia de Ana Paula Padrão
Foto: Divulgação

  • O amor é a questão central do livro?
Há dois tipos de amor. O romântico, que gera o casamento, e o amor por você mesma, que a torna capaz de amar outra pessoa. Enquanto você não se ama, não consegue amar o outro. O livro conta como comecei a me amar.

  • E por que aconteceu tão tarde?
Boa parte de nós, mulheres dos anos 1980, estava tão intensamente ligada ao trabalho que abdicou da vida amorosa. Quebramos esse ritual feminino para copiar os homens e entrar no mercado de trabalho. No meu caso, precisei de um longo processo para aprender a me amar e querer mais do que o trabalho pudesse oferecer.

  • O amor exige muito?
Lógico! O amor exige cuidado todos os dias. Fazer um gesto em direção à pessoa, entender suas fraquezas e fragilidades é um exercício diário de concessões para harmonizar os opostos.

  • A vida afetiva da mulher pesa no mercado de trabalho?
Não tanto quanto a maternidade. A vida afetiva não interfere na carreira, contanto que a mulher continue disponível 16 horas por dia.

  • Qual a grande mudança que o amor provocou na sua vida?
Sou uma pessoa mais completa. E me sinto menos estranha.

Publicado terça-feira, agosto 26, 2014 por Erotika Toys

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